A porta abriu-se. Um homem entrou. O capitão voltou a cabeça. Era o Imperador.Vendo quem era, baixou a cabeça. Notou que o imperador tinha lágrimas nos olhos. Não sabia o que dizer...
—Quero pedir-lhe descupa por não ter conseguido garantir a segurança da única
amiga que eu tinha... - disse o imperador, numa voz trémula.
O capitão olhou para o caixão de cristal, e depois para o imperador.
— O império é vasto. Por mais que queira, nunca conseguirá garantir a seguranca de toda a gente. É uma honra tê-lo aqui, mas certamente tem mais amigos
—Um imperador não tem amigos. É o emprego mais solitário do universo. Á minha volta todos têm interesses. Ela não.
— Ela gostava muito de si.
Saem mais algumas lágrimas dos olhos do imperador...O capitão levantou-se, aproximou-se e abraçou-o.
— Sei que estou a quebrar protocolo. Mas se não tem mesmo mais amigos...
— Ela foi a única pessoa que me abraçou em décadas. Lamento capitão, o seu abraco não é a mesma coisa.
O capitão largou-o...
— Seja como for, obrigado.
— Eu não vou conseguir ultrapassar a perda dela.
O imperador fixou os olhos no caixão de cristal.
— ... todos nós temos tempo limitado nas vidas uns dos outros. Houve imensa gente que eu gostaria que tivesse ficado mais tempo na minha. Acho que acabei por acostumar-me a ser usado e abandonado.
— É o imperador... ninguém o usa!
— Nem sempre fui imperador, sabe? Mesmo antes de ser imperador, nunca tive muitos amigos. Foi uma das razões porque fui nomeado para o cargo.
— Sei que é um homem ocupado, que é o meu supremo superior, mas se precisar de companhia para ir para os copos... Eu vou precisar de imensos copos. Era amigo dela. Considere-me seu amigo.
— A amizade não funciona assim, mas obrigado pela oferta.
O capitão olhou uma vez mais para ela, e sem abrir a boca, sem emitir um som, chorou.
— Capitão, ... eu acho que sei como trazê-la de volta. Se confiar em mim, eu, pessoalmente vou dar-lhe uma missão.
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